sábado, 24 de maio de 2014

A LER. A OCDE E OS EXAMES DE 4º E 6º ANO.

"Exames de 4.º e 6.º ano têm potencial de exclusão social"


No JN citando as opiniões de Paulo Santiago, analista chefe da Direção da Educação e das Competências da OCDE.
“Os exames de 4.º e 6.º ano em Portugal podem ter sido introduzidos demasiado cedo no percurso escolar dos alunos, tendo "potencial penalizante" para agravar o risco de reprovação e de exclusão social”
“... que entre os mais jovens os testes devem ter uma função de diagnóstico, para permitir a orientação dos alunos e a superação de dificuldades, retirando o peso de um exame final, com consequências para o percurso escolar dos alunos”
“a nível europeu apenas existem exames de 4.º ano na Bélgica e na Turquia, Paulo Santiago sublinhou o potencial de exclusão social que estes exames podem ter”
"O que mostra a investigação a nível de educação é que o fator mais importante é a envolvente socioeconómica do aluno: se tem um quarto para estudar, se tem pais que o empurram para estudar, tudo isso vai aparecer na nota do aluno. Se o exame é penalizante, no sentido que conta para a potencial reprovação, a proporção dos que vão reprovar é bastante mais significativa, e o que isso quer dizer é que o exame pode eventualmente ter uma função de exclusão social",
“Até aos 13-14 anos o que é preciso é fazer um diagnóstico sobre a progressão do aluno e refletir sobre os conselhos que se podem dar para que possa melhorar a sua aprendizagem".
“Paulo Santiago deixou ainda alertas sobre as escolhas precoces de uma via profissionalizante, sublinhado também o "potencial de penalização" para a carreira e o futuro dos jovens que escolhem este caminho demasiado cedo.
Por uma questão de maturidade dos alunos, a OCDE entende que essa escolhe nunca deve ser feita antes dos 14, 15 anos.”

Estas afirmações traduzem apenas o que os estudos e as experiências evidenciam, como inúmeras vezes aqui tenho referido.
No entanto, por cá os ventos dominantes acreditam nos exames como um poção mágica que só por existirem promovem qualidade e sucesso educativo. Na verdade, medir muitas vezes a febre não faz com que ela baixe.

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