quarta-feira, 7 de março de 2012

AS DECLARAÇÕES "INFELIZES"

A iniciativa que creio inédita de, sob a forma de petição dirigida à Assembleia da República, exigir a demissão do Presidente da República, apesar de inconsequente devido ao nosso ordenamento constitucional que não confere competência ao Parlamento para a demissão do Presidente tem, do meu ponto de vista, algum significado, para além do número, 40 000 assinaturas.
Em primeiro lugar, creio que a emergência de movimentos cívicos ou de opinião fora do enquadramento partidário é, por princípio, positiva. Na verdade, nas últimas décadas em Portugal construiu-se uma partidocracia que tem conseguido, salvo raras excepções, capturar a participação e envolvimento cívico dos cidadãos. Provavelmente, este cenário é uma das razões para o fortíssimo e progressivo afastamento de muitos de nós de formas de participação e envolvimento cívicos mais activos.
Por outro lado, importa sublinhar que esta iniciativa decorre sobretudo como reacção a algumas intervenções públicas do Presidente, sobretudo quando abordou aspectos relacionados com as suas pensões e a insuficiência de rendimentos face a despesas.
Algumas vozes referiram declarações "infelizes" o que me parece uma fraca explicação. O Presidente da República não tem intervenções "infelizes", não porque detenha o inexistente dom da infalibilidade, mas porque o peso e o impacto das suas declarações não se compadecem com a incompetência e insensibilidade que, não é raro, caracterizam as intervenções de Cavaco Silva que, além disso,  reclama sistematicamente uma superioridade moral e estatuto ético exemplares o que, evidentemente não é assim tão linear se atentarmos à carreira política e situações em que tem sido envolvido e nem sempre claramente explicadas.
Nesta perspectiva, a petição agora entregue deve ser lida como sinal de indignação face a este tipo de comportamento e também um sinal de que pode ser possível uma maior exigência social sobre os comportamentos dos políticos que, de uma forma geral, têm um estatuto de impunidade, nos discursos e nos comportamentos.

1 comentário:

Anónimo disse...

Considero as declarações do Sr. Predidente da República Cavaco Silva inadmissíveis, mas alguém ficou surpreendido?

Ele toda a vida foi um sovina e tem uma inveja enorme dos seus ex-ministros que ganham 10 vezes mais do que ele.

Ele apenas deixou cair a mascára.

Abraço
António Caroço