sábado, 18 de fevereiro de 2012

DESPUDOR

O despudor com que o discurso político branqueia responsabilidades é, do meu ponto de vista, um dos grandes contributos para a degradação da imagem e da confiança nos agentes políticos.
Marques Mendes, agora promovido a comentador-mor e incluído no grupo restrito dos que são ouvidos sobre tudo e entendem que devem opinar sobre tudo, os senadores como lhes chamam numa saloiice pateta, acha que o rumo de Passos Coelho lhe pode custar as eleições mas assim tem de ser.
Embora a ele próprio, Marques Mendes, o “revoltem” algumas medidas, imagine-se o cidadão que não vive com a almofada económica de Marques Mendes, a austeridade é inevitável face ao estado em que os outros, sempre os outros, deixaram o país. É claro que os outros, na altura certa, justificaram parte do que fizeram e decidiram com o estado em que os outros, de novo os outros, deixaram o país. Não há pachorra para este despudor.
O PSD e o PS, a solo ou em entendimentos de circunstância, governaram o país nas últimas décadas, é da sua responsabilidade o estado do país para além, naturalmente, do que resulta da conjuntura internacional. Vale a pena recordar o longo consulado de Cavaco Silva que transformou o dinheiro a chover da Europa em betão e alcatrão, desenvolvimento, diziam.
Sejamos sérios, os modelos de desenvolvimento que nos impuseram são da responsabilidade de quem tem assumido o poder.
O que o PSD tem estado a fazer, que Marques Mendes afirma ter de ser realizado também pelo PS se estivesse no governo, decorre de modelos de desenvolvimento económico de que ética e responsabilidade social são valores arredados, estão submetidos à ditadura dos mercados que, naturalmente não servem a maioria das pessoas, servem-se da maioria das pessoas como produtos, activos, descartáveis.
É evidente que não espero do Dr. Marques Mendes um discurso que contrarie o que nos trouxe a este estado, ele também foi responsável.
Sendo parte do problema, não pode, naturalmente, ser parte da solução.

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