sábado, 19 de março de 2011

OS PAIS E AS MÃES

O DN de hoje, a propósito do facto do calendário das consciências assinalar o Dia do Pai, regista a evolução na partilha da licença entre pais e mães por nascimento de um filho. Segundo dados da peça de hoje e de um trabalho há algumas semanas divulgado, verifica-se a passagem de 0,6% em 2008 para 16% de pais que em 2010 partilharam a licença parental com as mães o que representa uma subida importante.
Tal situação, parece, dever-se-á a alterações legais e a uma eventual e gradual mudança nos valores que, devagarinho, vai retirando às mães o exclusivo da prestação de cuidados aos bebés.
No entanto, em matéria de parentalidade e organização e distribuição dos papéis familiares parece-me de considerar alguns aspectos que já aqui tenho abordado.
As mulheres portuguesas são das que, em termos europeus, mais tempo trabalham fora de casa. Além disso, não pode esquecer-se a discriminação salarial de que muitas mulheres, sobretudo em áreas de menor qualificação, são ainda alvo e a forma como a legislação laboral e a sua “flexibilização” as deixam mais desprotegidas. São conhecidas muitas histórias sobre casos de entrevistas de selecção em que se inquirirem as mulheres sobre a intenção de ter filhos, sobre casos de implicações laborais negativas por gravidez e maternidade, sobre situações em que as mulheres são pressionadas para não usarem a licença de maternidade até ao limite, etc.
Neste quadro, apesar dos quadros legais mais favoráveis a realidade acaba por condicionar fortemente os desejos e projectos das famílias, quer na sua organização, quer mesmo na decisão, em desuso, de ter filhos. Mas isto é uma outra questão.
Hoje é dia de pensar nos pais, eu acho bem, é claro.

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