quarta-feira, 23 de julho de 2008

NOVAS OPORTUNIDADES, "YES, WE CAN"

Eu bem tento, mas é impossível fugir a falar da crise. Tinha alguma esperança na chegada da “silly season”, mas até esta parece em crise, de tão discreta que se tem mostrado. Voltemos, portanto, à crise, agora abordada de um outro ângulo, os roubos nos super e hipermercados. Um estudo hoje revelado pela APED, (Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição), refere que os valores envolvidos nestes roubos têm vindo a aumentar significativamente, estando já ao nível dos valores verificados no último período recessivo da economia portuguesa, 2003.
É óbvio que, do ponto de vista das empresas, esta situação está longe de ser simpática. No entanto, esforçando-me por encarar a realidade de forma optimista, seguindo, aliás, a visão do Primeiro-ministro, talvez possamos encontrar alguns sinais positivos neste comportamento de consumidores e empregados destes estabelecimentos comerciais.
Em primeiro lugar, podemos admitir que, para fazer face às necessidades diárias recorrem a Novas Oportunidades de o fazerem, mostrando empreendorismo e iniciativa, contrariando a passiva atitude, mais habitual, de reclamar e esperar por mais subsídios, um pouco seguindo a "Obamática" perspectiva de “yes, we can”. Lindo.
Parece-me também de saudar esta democratização do roubo. As notícias nesta matéria referem-se, sobretudo, aos grandes “negócios”, pelo que recuperarmos a portuguesa tradição do “pilha-galinhas”, pequeno delinquente, para além de introduzir equidade no universo da delinquência, ainda preserva as nossas tradições sociais e culturais. É certo que, na mesma linha, são os que têm mais probabilidades de serem “apanhados” pela justiça portuguesa, forte com os fracos e fraca com os fortes, mas também, última nota de optimismo, tal facto, introduz uma pontinha de adrenalina que ajuda a animar os cinzentos dias que a crise, sempre a crise, nos proporciona.

1 comentário:

Anónimo disse...

e os "pilha-galinhas" foram apanhados? Pela Policia Judiciária, ou essa falta de previlégio social, é exclusiva dos "colarinhos-branco"?
P.S. Eu sei que não sou cigano, mas se me oferecerem um casa às portas de Lisboa por 4 € /mês, até deixo crescer o cabelo e a barba e trajo de preto (mesmo sem estar de luto... knock, knock)